sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Notre musique




Só agora nos últimos dias eu consegui tempo para ouvir alguns álbuns que vinha coletando desde meados deste ano, mas que só conseguia ouvir uma ou outra música.
Acho que dá tempo ainda né!
1. Ben Clock - One
O DJ alemão, no seu primeiro álbum, conseguiu unir violência e experimentalismo, arrepios de frio e arrepios de emoção. Destaque para a esquizofrênica "Init two".

2. Melody Gardot - My one and only thrill
Linda e com uma voz de doçura impressionante, me fez lembrar Julie London em vários momentos. Impactado com a melancólica "Your heart is as black as night"


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

na cidade havia três rios. o primeiro se chamava turarassú, nome indígena, joaquim não lembrava o significado. o segundo se chamava rio das margaridas e ninguém se atrevia a dizer que morava beirando das margaridas, todos diziam que moravam beirando o rio das margaridas. o terceiro se chamava luzias e só joana, a gaga, morava perto dele, até hoje ninguém sabe o porquê. para um forasteiro era difícil definir qual rio era o primeiro qual era o segundo qual era o terceiro rio da cidade. podia-se chegar de qualquer direção, a rosa dos ventos era generosa com o lugar. dia de domingo era dia de se banhar nos rios, ver a marolinha carinhosa bater nos outros pés.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Morte, homem, é só a morte


sempre tento adiar o momento de chegada de certas sensações desconfortáveis, talvez muito desconfortáveis, indesejáveis, sim, indesejáveis.
como essa sensação estranhíssima de "vazio pictorial/pictórico/imagético/babaquice"...Não escrevo isto como um alguém que sofre um bloqueio, uma crise, do tipo existencial ou psicótica (como diriam Schopenhauer, Foucault, Platão e minha mãe: quem soy jo?) mas um alguém que sente (ai meu amor, pungentementementementemente) uma total ausência de objetos que me arrebatem, me tirem o sono ou me deixem pensativo por uns bons longos dias. Porque sempre digo isto e talvez seja um grande defeito meu (apesar de minha cota de defeitos já ter sido ultrapassada há muito tempo): sou apaixonado por coisas. Coisas sim, objetos, imagens, pics do Google, meu mundo é um aglomerado nebuloso de imagens. Flusser que não me passe a mão na cabeça quando eu estiver no inferno, mas não sou textólatra e ele há de me compreender. Mas o grande problema é que há tempos não acho uma imagem definitiva (dentre todas as imagens definitivas que aparecem em explosões nas nossas casas todos os dias, sem misericórdia misericórida meu bom Deus). Será então que elas estão todas aí, me cercando, batendo à minha porta? Será que vejo-as, como-as, abraço-as e a qualidade de meteoritos flamejantes a incontáveis quilômetros por hora, inerente a elas, é só uma coisa latente, guardada em todas as suas possibilidades e eu ainda seja muito jovem (ah! La jeunesse!) e incompetente para enxergar bem diante do meu nariz?...
Pois bem, há uns dias atrás terminei a leitura arrastaaaaaada de O sol se põe em São Paulo, do Bernardo Carvalho e nada.
Não posso nem falar de cinema... Minto, e minto descaradamente. Assisti a um curta extremamente criativo chamado Superbarroco, ou melhor, mega surpreendente, revolucionário e du carálio (onde foi parar meu tesão?). Mas ele morreu logo em seguida.

Aliás falta-me fôlego para minhas digressions

Tudo morrendo, eu hein...
(Fotomontagem de Bernard Faucon, Le banquet)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Festival Panorama de Dança 2009


Chegando mais um Festival Panorama de Dança!

As apostas são os espetáculos da Quasar (sempre!) e o espetáculo de Gilles Jobin, Black Swan.

Performances, espetáculos gratuitos e mais uma vez o "Sentido > Centro" com instalações e espetáculos na rua.


Projeção digital

Fonte: http://www.contracampo.com.br
PARA ASSINAR A PETIÇÃO > http://www.gopetition.com/online/31415.html


A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

sábado, 3 de outubro de 2009

molly me grita "sim", esbraveja um "sim", destorce um "sim", vira os olhos para um "sim", engatinha feito bicho em um "sim", cospe milhares de "sim" e sai do palco iluminada...